• Aline Baroni

7 descobertas que provam que peixes são inteligentes e sensíveis

Durante muitas décadas, peixes e outros animais aquáticos foram deixados de fora da discussão sobre direitos animais. As pessoas costumavam considerá-los "menos que um animal", pensando que eles não eram igualmente inteligentes e sensíveis. Apesar do fato de muitos ainda terem uma vida terrível em fazendas aquáticas ou sofrer uma morte dolorosa ao serem esfolados e cortados vivos e conscientes ou deixados para morrer sufocados fora da água, essa noção, felizmente, vem mudando no decorrer dos últimos anos.

Algumas descobertas científicas estão ajudando a evoluir nossa visão sobre os peixes. "Muitos fenômenos que interessam os primatologistas também podem ser observados em peixes, incluindo exemplos de inteligência social, cultura e uso de ferramentas, diz um estudo. E, para provar que eles merecem nossa compaixão também, vamos destacar algumas das revelações mais relevantes.

1. Peixes podem reconhecer rostos humanos

Apesar de a Sinergia Animal desencorajar pessoas a terem peixes como animais de estimação, um estudo vale ser mencionado. Cientistas da Universidade de Oxford (Reino Unido) e da Universidade de Queensland (Austrália) analisaram uma espécie chamada peixe-arqueiro e descobriram que, quando mantidos como pets, eles podem distinguir um rosto familiar de dezenas de outros com uma precisão surpreendente. E você, consegue ver a diferença entre os rostos dos peixes? Parece que essa habilidade é muito mais desenvolvida neles do que em humanos, certo?

Isso mostra um refinamento em sua inteligência. Humanos têm dois olhos, um nariz e uma boca, e de alguma forma eles conseguiram perceber diferenças sutis entre nós, assim como cães e gatos fazem.

2. Eles usam ferramentas para caçar

Um estudo sobre a capacidade de peixes usarem instrumentos sugere que eles têm sido "amplamente subestimados em termos de habilidade cognitiva".

Aqui vai mais uma descoberta sobre o peixe-arqueiro: eles são tão espertos que "cospem" um jato de água para fora d'água para derrubar insetos e comê-los. Basicamente, eles criaram uma ferramenta para caçar, igual fazem outros animais notadamente inteligentes. Dá uma olhada:

Impressionado? Eles não são os únicos a fazerem coisas assim. Peixes do gênero Choerodon são conhecidos por abrirem conchas batendo nelas com pedras. E como diversos desses peixes usam essa mesma técnica, cientistas estão se perguntando se se trata de uma habilidade que eles aprenderam no decorrer das geração, um conhecimento passado de pais para filhos.

3. Alguns peixes são pais cuidadosos

Falando de pais e filhos, cientistas descobriram que os Acará-disco cuidam com carinho de seus filhos. Elas alimentam seus filhotes com muco (parece nojento, mas aparentemente os bebês peixe adoram!), sendo que as propriedades nutricionais e imunológicas do muco mudam no decorrer do desenvolvimento dos filhotes, bem parecido com o que acontece com os mamíferos.

"Há diversos paralelos entre os Acará-disco e mamíferos e aves, no que diz respeito a cuidados com sua prole", diz Jonathan Buckley, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, um dos principais responsáveis pelo estudo.

Outros peixes, como os ciclídeos e o Dianema Tigre, colocam seus ovos em folhas ou conchas vazias que encontram de forma que eles possam carregar sua prole com mais facilidade em caso de ameaça.

4. Eles aprendem coisas

Uma vez que eles até criam ferramentas para caçar ou abrir conchas, não é de se espantar que diversas pesquisas também mostrem que peixes têm uma capacidade de aprendizado impressionante e as usem como suporte para uma diversidade de comportamentos sofisticados.

Os Guppies, também conhecidos como Barrigudinhos, por exemplo, mostraram uma capacidade fantástica de navegar por um labirinto que consistia em seis junções consecutivas em T. Depois de serem treinados para isso, tanto o número de erros como o tempo de saída do labirinto decaíram significativamente, o que prova sua capacidade de aprendizado. Os Guppies alcançaram 68% de respostas corretas no primeiro dia de treinamento, e depois 80% no último.

Alguns peixes podem até mesmo analisar qual a probabilidade de ganhar brigas com outros peixes por observar a lembrar de batalhas anteriores de seus rivais!

5. ...O que está relacionado à sua boa memória

O senso comum diz que peixes têm uma memória de três segundos, mas isso não é verdade. Cientistas mostraram que um simples peixinho dourado pode lembrar de coisas por três meses!

Por exemplo, peixes da família Melanotaeniidae podem lembrar de rotas de fuga para se livrar de perigo por até 11 meses, de acordo com uma pesquisa publicada por Culum Brown, da Universidade Macquarie na Austrália, que é também editor assistente do Journal of Fish Biology.

Muitas espécies de peixe podem executar navegações complicadas por lembrar de mapas mentais. Um estudo publicado no The Royal Society Journal mostra que alguns deles até mesmo criam um mapa espacial de seus ambientes, criando representações mentais para relacionar diversos locais.

6. Eles têm sentimentos

Mesmo que cientistas ainda estejam desenvolvendo pesquisas sobre esse ponto, alguns estudos destacam que, sim, peixes são animais conscientes e têm sentimentos que variam de acordo com o ambiente em que vivem e as situações que experimentam.

Por exemplo, o peixe-zebra têm algo chamado de "febre emocional", que é uma febre física, mais ou menos como uma febre por causa de uma doença, desencadeada por uma situação estressante. Sua temperatura corporal aumenta entre 2 e 4°C quando eles são confinados durante períodos curtos. Nós costumávamos pensar que isso só acontecia com mamíferos, aves e répteis, mas, surpresa!, peixes têm respostas diretas a como eles percebem o mundo a seu redor.

7. Eles sentem dor

“Eu tenho argumentado que há evidências suficientes de que peixes sentem dor e sofrem assim como aves e mamíferos — e mais do que recém-nascidos". Forte, né? Quem disse isso foi ninguém menos que Victoria Braithwaite, professora da Penn State University especializa em peixes e autora do livro “Do Fish Feel Pain?" ("Peixes Sentem Dor?", em português). De acordo com ela, a anatomia dos peixes é complexa o bastante para que eles experimentem dor e desconforto.

Claro, não é como humanos experimentam dor. Mas é dor. Então isso quer dizer que peixes fisgados por anzóis ou que são cruelmente mortos não apenas se debatem por reflexo. Eles fazem isso porque estão sendo machucados.

Sua atividade cerebral durante esses episódios é análoga à dos vertebrados terrestres: desdobra uma série de atividades elétricas que ativam regiões cerebrais essenciais para percepções sensoriais conscientes (como o cerebelo, mesencéfalo e o telencéfalo), e não apenas a base cerebral e tronco encefálico, áreas responsáveis por reflexos e impulsos.

Ainda há muito a se descobrir sobre a inteligência e sensações dos peixes, mas uma grande mudança já está acontecendo: agora sabemos que estivemos errados sobre esses animais todo esse tempo. Apenas porque eles não se parecem conosco, não vivem no mesmo ambiente ou não percebem os estímulos da mesma maneira que nós, não quer dizer que eles não devem ser protegidos.

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