Dia da Amazônia: o que a visita de Leonardo DiCaprio ao Brasil nos lembra sobre a defesa da floresta e dos animais
Neste sábado, 5 de setembro, o Brasil celebra o Dia da Amazônia. Poucos dias antes, Leonardo DiCaprio esteve no país em uma agenda dedicada à conservação ambiental, passando pela Amazônia, pelo Pantanal e pelo Cerrado, e encontrando lideranças indígenas, organizações e projetos de conservação.

Reprodução/Instagram
O ator e ativista também se reuniu, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes do governo para discutir a proteção da biodiversidade, mudanças climáticas, territórios indígenas e conservação ambiental.
A presença de uma das pessoas mais conhecidas do mundo em uma agenda como essa ajuda a colocar os holofotes sobre um tema que não deveria depender deles: a Amazônia não é apenas uma floresta brasileira. É um território vivo, habitado por pessoas, animais e incontáveis espécies, fundamental para o equilíbrio climático e para a biodiversidade do planeta.
E é justamente por isso que o Dia da Amazônia deveria ser mais do que uma data comemorativa.
Uma visita que vai além da celebridade
Leonardo DiCaprio não é novo no ativismo ambiental.
Ao longo de décadas, ele transformou sua visibilidade pública em uma plataforma para falar sobre mudanças climáticas, conservação e proteção da biodiversidade. Em 2019, por exemplo, sua organização ambiental lançou o Amazon Forest Fund para apoiar organizações locais e comunidades indígenas durante a crise provocada pelos incêndios na Amazônia.
Na atual visita ao Brasil, a agenda esteve longe de ser apenas turística. DiCaprio visitou o cacique Raoni Metuktire e outras lideranças indígenas, retornou ao território Yawalapiti, conheceu iniciativas de conservação e esteve em áreas do Brasil onde comunidades trabalham diariamente para proteger florestas, rios e animais. A Re:Wild, organização da qual é cofundador, apoia iniciativas de proteção territorial e conservação da biodiversidade no país.
Uma das iniciativas apoiadas pela organização é o Escudo Sul da Amazônia, que busca proteger 5,8 milhões de hectares de florestas, rios e outros ecossistemas na região do chamado arco do desmatamento.
É importante reconhecer esse tipo de mobilização. Mas o que acontece quando as câmeras vão embora?
A Amazônia não precisa apenas de atenção. Precisa de proteção.
Em 2025, a Amazônia perdeu 289.478 hectares de vegetação nativa por desmatamento, segundo dados do MapBiomas. Embora o número represente uma redução de 23,5% em relação ao ano anterior, a dimensão da perda continua enorme.
E proteger a Amazônia significa enfrentar as atividades que pressionam seus territórios. A expansão da pecuária bovina é historicamente uma das principais causas diretas do desmatamento na Amazônia brasileira.
Esse ponto é especialmente importante para nós, da Sinergia Animal. Quando falamos sobre a Amazônia, não estamos falando apenas sobre as árvores. Estamos falando sobre animais que perdem seus habitats, rios que são contaminados ou alterados, espécies ameaçadas, comunidades que dependem da floresta e ecossistemas inteiros submetidos à pressão de atividades humanas.
Defender a floresta também é defender quem vive nela
A Amazônia abriga uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta.
Milhões de espécies de animais e plantas dependem de seus ecossistemas. Quando uma floresta é derrubada para abrir espaço para pastagens ou outras atividades, não desaparece apenas uma paisagem. Desaparecem abrigo, alimento, território e condições de sobrevivência para animais silvestres.
Por isso, para a Sinergia Animal, a discussão ambiental não pode separar artificialmente floresta, clima, biodiversidade, produção de alimentos e bem-estar animal. Esses temas estão conectados.
O mesmo sistema de produção que exerce pressão sobre territórios e recursos naturais também determina a vida de bilhões de animais criados para consumo.
Isso significa que discutir o futuro da Amazônia também exige discutir como produzimos e consumimos alimentos.
A pergunta que fica
A visita de Leonardo DiCaprio chama atenção porque mostra a força que uma pessoa com enorme alcance pode ter para colocar uma causa no centro da conversa. Mas o ativismo não pode terminar em visibilidade.
Uma fotografia na floresta pode sensibilizar milhões de pessoas. Um encontro com lideranças pode ampliar uma mensagem. Uma celebridade pode fazer com que alguém que nunca havia pensado sobre a Amazônia pare, pela primeira vez, para prestar atenção.
Mas a transformação acontece quando essa atenção se converte em políticas públicas, proteção territorial, fiscalização, recursos para conservação, respeito aos povos indígenas e mudanças concretas nos sistemas de produção.
E essa responsabilidade não é apenas de governos ou organizações. Também é das empresas.
Empresas que atuam nas cadeias de alimentos precisam olhar para além das próprias operações e assumir responsabilidade pelos impactos ambientais e pelo tratamento dado aos animais envolvidos em suas cadeias de fornecimento.
Não basta falar em sustentabilidade enquanto os impactos continuam acontecendo longe dos olhos do consumidor.
No Dia da Amazônia, precisamos olhar para o sistema inteiro
A Amazônia não precisa de mais uma data no calendário. Precisa de compromisso.
Precisa que a proteção da floresta seja tratada como prioridade permanente e não como pauta que ganha força apenas quando um incêndio aparece nas manchetes ou quando uma celebridade internacional visita o país.
A visita de Leonardo DiCaprio pode ajudar a reacender a conversa. Mas o protagonismo precisa continuar sendo de quem está na linha de frente: povos indígenas, comunidades locais, cientistas, organizações ambientais e todos aqueles que trabalham diariamente para proteger esses territórios.
E, para nós, isso inclui ampliar a conversa sobre os animais. Porque não existe floresta protegida se os animais que dependem dela continuam perdendo seus territórios.
Não existe sustentabilidade quando a produção de alimentos ignora seus impactos sobre a natureza. E não existe futuro verdadeiramente sustentável se continuarmos tratando animais, florestas e comunidades como recursos descartáveis.
Neste Dia da Amazônia, mais do que celebrar a floresta, precisamos questionar o que estamos dispostos a mudar para que ela continue existindo e para que todos os seres que dependem dela também possam existir.
É essa conversa que precisa continuar depois que as câmeras forem embora.




Comentários