• Aline Baroni

4 impactos ambientais dos produtos de origem animal

Frequentemente assistimos documentários e lemos sobre como o planeta está se degradando a cada dia. Sabemos que milhões de animais estão em risco de extinção, que ecossistemas inteiros podem desaparecer, que os glaciares estão derretendo e que doenças contagiosas são cada vez mais mortais e frequentes. Mas há algo que podemos fazer para evitar que isso aconteça? Deixar de consumir produtos de origem animal é uma das melhores coisas que podemos fazer pelo meio ambiente, e te explicamos o porquê.

1) Desmatamento

O desmatamento é uma forma de destruição ambiental diretamente relacionada com a expansão da produção animal. Primeiro, porque as florestas nativas (sobretudo as tropicais) foram cortadas ou incendiadas para criar pasto para gado. A pecuária é uma das principais causas de desmatamento em todos os países amazônicos e contribui para 80% das taxas de desmatamento da Floresta. Os incêndios na Amazônia brasileira que chocaram o mundo em 2019, por exemplo, começaram com pecuaristas querendo abrir espaço para pasto, e terminaram com a devastação de uma área 85% maior que a do ano anterior.

Além disso, o desmatamento também é causado pelo cultivo de grãos que, em sua maior parte, são utilizados para alimentar animais criados para produção de carne, leite e ovos em todo o mundo: cerca de três quartos da soja produzida no mundo é destinada à alimentação animal. Calcula-se que até 2050, a produção de soja precisaria aumentar quase 80%, chegando a 390 milhões de toneladas, a ainda seriam necessários 265 milhões de toneladas extra de milho para alimentar todos os animais explorados para consumo. Então, mesmo que você não coma carne diretamente criada em áreas da Amazônia (o que provavelmente faz sem nem saber), se consome qualquer produto de origem animal pode estar contribuindo para o desmatamento da mesma forma. Se não da Amazônia, de ecossistemas igualmente importantes, como o Cerrado, o Gran Chaco e Pampa argentinos ou as pradarias da América del Norte. "Ao reduzir a pressão sobre a terra, a redução da demanda [por produtos de origem animal] por meio de uma mudança de dieta também permitiria uma diminuição na intensidade da produção, o que pode reduzir a erosão do solo, proporcionar benefícios em uma variedade de outros indicadores ambientais como desmatamento e degradação da terra", afirma o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU.

2) Mudanças climáticas

Em geral, quando pensamos em mudanças climáticas, a imagem de carros nos vem à cabeça. No entanto, a produção animal libera mais gases de efeito estufa que todo o transporte do planeta combinado, totalizando 14,5% de todas as emissões causadas por atividades humanas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e de 72 a 78% de todas as emissões da agricultura, segundo um estudo da Universidade de Oxford.

Em 2016, três dos maiores frigoríficos do mundo, JBS, Cargill e Tyson, foram responsáveis por mais gases de efeito estufa (GEE) que toda a França, e os cinco maiores emitiram mais GEE que as maiores companhias petrolíferas, como Exxon, Shell y BP. Recentemente, os efeitos catastróficos das mudanças climáticas começaram a ser notados: a temperatura global está aumentando, os oceanos estão esquentando, as capas de gelo estão se afinando, glaciares derretendo, o nível do mar subindo e ondas de calor e seca estão cada vez mais frequentes, assim como as chuvas e inundações. De acordo com um relatório de um especialista em direitos humanos da ONU, Philip Alston, a crescente crise climática poderia até mesmo ameaçar a democracia e os direitos civis e políticos. O IPCC afirma que "uma mudança em nossas dietas, evitando o consumo de carne, pode reduzir as emissões de gases de estufa, diminuir a demanda por pastos e terras de cultivo, aumentar a proteção da biodiversidade e reduzir custos de mitigação [das mudanças climáticas]". A organização destaca que uma dieta com mais alimentos vegetais, como legumes, frutas, cereais integrais, leguminosas, castanhas e sementes, e menos produtos de origem animal é mais saudável e também associada a menores impactos ambientais do que a nossa atual dieta baseada em carne.

3) Poluição de água e solos

A agricultura é responsável por até 92% do nosso uso de água doce, e os produtos de origem animal estão diretamente relacionados a quase um terço dessa quantidade, sem contar o consumo indireto, já que a maioria dos grão produzidos, como milho e soja, são usados como alimento para animais. A pegada hídrica da produção animal é muito maior do que dos vegetais. Veja alguns exemplos: enquanto a maior parte das verduras tem uma pegada hídrica de em média 322 litros por kg e as frutas 962 l/kg, a carne de frango 4,325 l/kg, a de vaca um absurdo 15415 l/kg e por litro de leite se utilizam 1020 litros de água.

Além disso, se reduzimos o consumo de produtos animais, então também diminui-se a poluição da água, inclusive dos aquíferos. Isso se explica uma vez que a maior parte da água utilizada para a produção animal volta para o meio ambiente sob forma de excrementos ou água poluída com dejetos animais. Os excrementos de animais são ricos em uma série de substâncias, incluindo hormônios, antibióticos, drogas, metais pesados, patógenos e nutrientes que podem causar a eutrofização da água.

4) Perda da biodiversidade

Um estudo publicado na National Academies of Sciences mostra que, atualmente, 70% de toda a biomassa de aves do planeta são exploradas para consumo, 60% de todos os mamíferos são animais como vacas e porcos criados para alimentação, 36% são seres humanos e apenas 4% são animais selvagens. Essa quantidade desproporcional de animais explorados para consumo vive atualmente onde um dia habitavam animais silvestres.

Atualmente, 23 das 35 "zonas mundiais de grande concentração de biodiversidade" da lista de Conservação Internacional sentem os efeitos da produção animal, de acordo com a FAO. Que fique claro: a produção animal está diretamente relacionada com a perda de biodiversidade e vida selvagem, seja por meio da destruição de habitats, o abate de animais silvestres, a sobrepesca, a poluição de ecossistemas ou exacerbação dos efeitos das mudanças climáticas. “Se não preservamos a biodiversidade, nós também estamos em perigo. A situação está levando a nossa já frágil segurança alimentar para perto do colapso”, alerta o ex-diretor geral da FAO, José Graziano da Silva.

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