Depois de anos de pressão, Frimesa assume compromisso para reduzir o confinamento de porcas
- 26 de jun.
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Atualizado: 5 de ago.
Mobilização da Sinergia Animal conquista um novo compromisso da Frimesa para futuros projetos. Enquanto isso, milhares de porcas continuam vivendo em sistemas que restringem severamente seus movimentos.

Imagem ilustrativa: fazenda industrial
Durante boa parte da gestação, milhares de porcas criadas para a produção de carne no Brasil permanecem confinadas em estruturas metálicas tão estreitas que mal conseguem se virar ou caminhar.
Essa realidade faz parte da rotina da suinocultura industrial há décadas. E é justamente para transformá-la que a Sinergia Animal vem mobilizando ativistas, dialogando com empresas e pressionando o setor por mudanças concretas.
Agora, esse trabalho conquistou mais um resultado.
Após anos de incidência da Sinergia Animal, a Frimesa anunciou que todos os novos projetos destinados às porcas reprodutoras, implantados a partir de 2030, utilizarão o sistema conhecido como "Cobre e Solta", reduzindo significativamente o período em que os animais permanecem confinados individualmente durante a gestação. O compromisso foi construído ao longo de um processo de diálogo iniciado há vários anos entre a organização e a cooperativa.
A mudança não aconteceu por acaso
Nenhuma empresa altera seus sistemas produtivos sozinha.
Mudanças como essas são resultado de anos de mobilização, diálogo técnico, campanhas e pressão da sociedade para que empresas assumam compromissos capazes de reduzir o sofrimento dos animais.
Desde 2021, a Sinergia Animal vinha apresentando à Frimesa evidências científicas, experiências internacionais e propostas para fortalecer suas políticas voltadas às porcas reprodutoras. Ao longo desse processo, a organização também cobrou transparência e metas públicas para que os compromissos pudessem ser acompanhados pela sociedade.
O anúncio mostra que a pressão funciona. Mas também deixa claro que ela precisa continuar.
O que muda na prática?
Hoje, muitas porcas passam grande parte da gestação confinadas em celas individuais que restringem quase completamente seus movimentos.
No sistema "Cobre e Solta", elas permanecem nesses espaços apenas durante o período inicial da cobertura e da confirmação da gestação. Depois, são transferidas para baias coletivas, onde podem caminhar, interagir com outras porcas e se movimentar durante a maior parte da gravidez.
A adoção desse modelo já vem sendo implementada por outras empresas brasileiras e acompanha uma transformação que avança em diferentes mercados ao redor do mundo.
A conquista é importante. Mas milhares de animais continuarão esperando.
É preciso reconhecer o avanço sem perder de vista a realidade.
O compromisso anunciado pela Frimesa vale apenas para novos projetos implantados a partir de 2030. Isso significa que as estruturas atuais não serão automaticamente substituídas e que milhares de porcas continuarão submetidas ao sistema atual por muitos anos.
Por isso, esse anúncio não representa o fim da campanha. Representa apenas mais uma etapa.
A implementação dos compromissos, a transparência sobre seu andamento e a ampliação dessas mudanças para outras operações continuarão sendo fundamentais para que a realidade dos animais seja efetivamente transformada.
A mobilização continua
Cada empresa que assume compromissos públicos aumenta a pressão para que outras façam o mesmo. É assim que mudanças estruturais acontecem.
Primeiro, a sociedade deixa claro que determinadas práticas já não são aceitáveis. Depois, empresas começam a responder. Por fim, novos padrões passam a substituir modelos antigos.
Foi assim com diversas transformações na cadeia de alimentos ao redor do mundo.
E é assim que a Sinergia Animal continuará atuando: mobilizando ativistas, dialogando com empresas, cobrando transparência e pressionando para que compromissos anunciados se transformem em mudanças concretas para milhões de animais.
Porque uma política publicada é apenas o começo.
O que realmente importa é o dia em que nenhuma porca precise passar a maior parte da vida confinada em um espaço que mal permite que ela se movimente.




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