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McCain, se sustentabilidade é prioridade global, por que o Brasil precisa esperar até 2030?

há 6 dias
3 min de leitura

A pergunta saiu do Brasil, atravessou mais de 2.000 quilômetros e chegou a Buenos Aires. Agora, vamos levá-la ao Canadá.



Se sustentabilidade é uma prioridade global para a McCain, por que o Brasil precisa esperar até 2030 para deixar para trás as gaiolas na cadeia de ovos da Forno de Minas?


Nesta semana, levamos nossa campanha até a operação da McCain na Argentina, onde buscamos chamar a atenção da liderança responsável pela sustentabilidade da companhia na América Latina. Nosso grupo de ativistas fez questão de tornar visível uma cobrança que a empresa ainda não respondeu de forma satisfatória.


E não estamos fazendo essa cobrança sozinhos.



769 funcionários da McCain também estão pedindo ação


Um dos elementos mais importantes dessa campanha é o apoio de 769 funcionários da própria McCain, que aderiram a uma petição pedindo que a empresa avance no cumprimento de seus compromissos.


Porque esta não é apenas uma organização de proteção animal cobrando uma empresa. São também pessoas que trabalham dentro da McCain dizendo que é preciso avançar.


Nossa demanda é simples: a McCain precisa apresentar um plano público, mensurável e verificável para a transição da Forno de Minas para uma cadeia livre de gaiolas.


Queremos saber quais são as etapas, quais produtos e fornecedores estarão incluídos, qual será o percentual de implementação em cada fase, quem será responsável e como a empresa irá prestar contas sobre o avanço.


Não estamos pedindo uma promessa vaga. Estamos pedindo transparência e ação. Afinal, o compromisso já existia. O prazo que foi adiado.



A história começa em 2018


Naquele ano, foi estabelecido o compromisso de transição para ovos provenientes de sistemas livres de gaiolas, com conclusão prevista para 2025. O compromisso deveria alcançar aquisições como a Forno de Minas, incorporada ao grupo McCain.


Mas 2025 chegou e a transição não foi concluída.


A Forno de Minas iniciou o processo apenas no ano em que a meta deveria ser cumprida. O prazo para eliminar integralmente as gaiolas foi então estendido por mais cinco anos: 2030.


Para nós, essa extensão não pode passar sem questionamento.


Enquanto milhões de galinhas continuam submetidas a sistemas de confinamento que restringem severamente seus movimentos, uma empresa que apresenta sustentabilidade como parte central de sua atuação está dizendo que algumas operações podem esperar mais cinco anos. Por quê? É essa resposta que estamos cobrando.


Se outras empresas conseguem avançar, por que a McCain precisa esperar?


A chegada da campanha à Argentina tornou esse contraste ainda mais evidente.


De acordo com o Cage-Free Tracker 2025 da Sinergia Animal, 48 das 148 empresas avaliadas na América Latina já alcançaram 100% de implementação de sistemas livres de gaiolas. Na Argentina, 16 das 31 empresas avaliadas reportaram avanços.


Há empresas mostrando que a transição é possível.


A Havanna, por exemplo, assumiu em 2018 o compromisso de migrar para uma cadeia de abastecimento 100% livre de gaiolas até 2025.


A Arcos Dorados, operadora do McDonald’s na América Latina, informa que atualmente 95,3% dos ovos frescos servidos em seus restaurantes na região são provenientes de sistemas livres de gaiolas — incluindo Argentina, Brasil e outros mercados latino-americanos.


A questão, portanto, não é se a América Latina consegue fazer essa transição, mas por que a McCain decidiu que o Brasil pode esperar até 2030.


Um compromisso global deveria significar um padrão global


A McCain opera em mais de 160 países e apresenta seus compromissos de sustentabilidade como globais. Então queremos coerência.


Se um compromisso é global, ele não deveria perder força quando chega a um mercado específico.


Por isso, nossa mensagem está sendo levada de país em país:


Canadá: A global commitment should mean a global standard.


Argentina: Un compromiso global debería significar un estándar global.


Brasil: Um compromisso global deveria significar um padrão global.


Não aceitamos que compromissos de sustentabilidade sejam tratados como metas flexíveis, que podem ser adiadas sem transparência, sem plano público e sem prestação de contas.


E não estamos falando apenas de uma questão de bem-estar animal.


Estamos falando de responsabilidade corporativa, transparência e coerência dos compromissos ESG — especialmente quando empresas globais operam em diferentes mercados e precisam demonstrar que seus padrões são realmente globais.


De São Paulo a Buenos Aires. De Buenos Aires ao Canadá.


A campanha começou no Brasil.


Depois, atravessamos a fronteira e levamos a cobrança à liderança latino-americana da McCain em Buenos Aires.


Agora, vamos levar a mesma pergunta ao Canadá, onde fica a sede global da empresa, em Toronto.


A distância não muda a pergunta: McCain, se sustentabilidade é uma prioridade global, por que o Brasil precisa esperar até 2030?


Queremos uma resposta. Mas, mais do que isso, queremos um plano.


Até que isso aconteça, continuaremos cobrando, porque compromissos públicos precisam ser honrados.


E porque, quando uma empresa diz que sustentabilidade é uma prioridade global, esperamos que essa prioridade também chegue ao Brasil.


A campanha continua.







Fotos: Nacho Garcia

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