• Aline Baroni

União Europeia planeja dificultar importações de ovos produzidos em gaiolas

Como uma grande fornecedora mundial de produtos de origem animal, era só uma questão de tempo até que a América Latina esbarrasse na questão do uso das gaiolas na avicultura no comércio internacional. Pois esse momento chegou: no novo acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, o bloco europeu quer que os ovos exportados pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai só sejam liberados do pagamento de impostos se sua produção seguir os padrões europeus.

Desde 2012, as gaiolas em bateria convencionais, amplamente usadas nos países latinos, são proibidas em todos os países pertencentes à União Europeia. O bloco somente permite o uso das chamadas gaiolas enriquecidas, que provém cerca do dobro do espaço por animal e alguns tipos de enriquecimento ambiental, como caixas ninho e mini poleiros. Devido a pressão de consumidores e ONGs, alguns países mais progressistas, como Áustria, Holanda e Dinamarca, já eliminaram praticamente toda a produção de gaiolas — até mesmo as enriquecidas — e somente criam aves soltas.

Photo: Andrew Skowron

Dentro das gaiolas em bateria convencionais, por causa do espaço limitado e da superlotação, as aves têm apenas o equivalente a uma folha A4 para se mover, mal conseguem andar e abrir suas asas completamente. Muitas nunca sequer vêem a luz do sol, a higiene é tão precária que algumas têm que conviver com cadáveres de suas colegas. O contato direto com as grades faz com que muitas percam boa parte de suas penas e tenham feridas dolorosas nos pés.

Essa forma de confinamento traz enorme sofrimento para nos animais, não apenas físico, mas também emocional. Galinhas são animais inteligentes e sociáveis, e se sentem extremamente frustradas e estressadas ao passar suas vidas inteiras em um espaço onde não podem expressar nem mesmo seus comportamentos mais instintivos.

Confira o vídeo de nossa investigação realizada na Argentina:

O documento está em fase final de preparação, envolvendo os dois lados do acordo, e será enviado para ratificação dos estados-membros e do Parlamento Europeu. Depois de aprovada, a medida deve impactar diretamente no modelo de produção de ovos adotado pela América Latina, onde a maior parte das galinhas ainda passa sua vida inteira em confinamento extremo em gaiolas convencionais.